 |
Montanhismo no Brasil
As primeiras ascensões às formações rochosas brasileiras aconteceram durante o período das explorações territoriais empreendidas pelos bandeirantes a partir do século 17. Mas os primeiros registros de pessoas chegando aos pontos mais altos do país apareceram no século 19, destacando-se o pioneirismo, a pesquisa e levantamentos topográficos. Na metade desse século, já falou-se em subidas à Pedra da Gávea, elevações da Serra da Carioca e Maciço da Tijuca. Muito tempo depois, em abril de 1912, cinco moradores de Teresópolis foram os responsáveis por um dos principais feitos no esporte, considerado o pontapé inicial para a evolução do montanhismo no Brasil: A conquista do Dedo de Deus! Tal empreitada era o verdadeiro desafio que se apresentava na virada do século e há muito considerado como inatingível, pois derrotara várias levas de veteranos montanhistas estrangeiros. Os desbravadores são o ferreiro José Teixeira Guimarães, o caçador Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira, teresopolitanos. Contaram também com a colaboração do menino João Rodrigues de Lima, que percorria diariamente a longa subida até a base da escalada, levando comida para o grupo.
Os clubes
No dia 1º de novembro de 1919, foi fundado no Rio de Janeiro o primeiro clube de montanhismo do país, o Centro Excursionista Brasileiro, que tem como montanha-símbolo o Dedo de Deus. O CEB foi responsável por várias excursões e conquistas, inclusive na Serra dos Órgãos. A partir dos anos 30, outras associações começaram a se formar e contribuíram para aumentar o número de cumes e paredes desbravadas. Ao longo dos anos, vários clubes acabaram fechando ou se incorporaram a outros. Atualmente, existem seis Centros Excursionistas na cidade do Rio de Janeiro: o Brasileiro, o Rio de Janeiro, o Carioca, o Light, a Unicerj e o Guanabara. Em outras cidades do Estado, há o Niteroiense (em Niterói), Petropolitano (Petrópolis), o Grupo Excursionista Agulhas Negras (Resende), o Friburguense (Nova Friburgo) e nossa cidade é representada pelo Teresopolitano (CET), que se reúne todas as terças-feiras na loja da Sociedade Pró-Lactário, no número 555 da Avenida Lúcio Meira, a partir das 20h. O site do nosso clube é www.ceteresopolitano.org . Com exceção da Unicerj, os centros são filiados à Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj).
A prática
Para ingressar nesse esporte, a pessoa precisa de um mínimo de preparo físico. Mas, mais importante do que o condicionamento, que pode melhorar no decorrer da prática, o montanhista tem que ter obrigatoriamente consciência ambiental. Afinal de contas, é um esporte praticado em contato direto com a natureza e, em muitas vezes, em locais de beleza única e que dever ser preservados. A segurança é outro ponto de extrema importância. Os riscos não envolvem somente a escalada, mas a caminhada em montanhas pode se tornar perigosa dependendo do local onde é praticada. Os clubes trabalham a idéia de que as pessoas estejam nas trilhas ou paredes rochosas de forma segura e consciente.
Material e curso
Falando em montanhismo, podemos dividir o assunto em caminhada (ou trekking) e escalada. No primeiro caso, uma boa mochila, bota ou um tênis que agüente mais o tranco, cantil, lanterna, boné/chapéu e protetor solar deve ser o mínimo/essencial. Para escalar, o recomendado é que a pessoa procure um clube e faça um Curso Básico antes de sair por aí subindo pelas paredes. O material varia entre corda, mosquetões, bauldrier (cadeirinha), sapatilha e outros. Saber usar tudo isso, além dos diversos tipos de nós, é obrigatório para ir e voltar com segurança.
Sentimento
“Montanhista de coração”. Costumo usar essa expressão quando me refiro a pessoas que realmente estão comprometidas com o esporte. Que não tratam o montanhismo apenas como “subir e descer uma montanha”. É muito mais do que isso. É viver a vida no seu máximo. É chegar a locais onde poucos pisaram. É trabalhar para que esses lugares sejam preservados, para que nossos filhos e netos possam experimentar a sensação única de chegar ao cume de uma montanha. “...é quando realmente vivem...”, já dizia o grande Reinhold Messner. |
 |
 |
 |
O COLUNISTA
“Comecei a praticar o montanhismo em 1998, quando encarei pela primeira vez os 11 quilômetros da trilha da Pedra do Sino. No dia 31 de julho daquele ano, sequer imaginava que me tornaria um viciado... Em natureza! Como diz meu amigo de aventuras Alexandre Formiga, fui acometido pelo mal da montanha. Hoje, não consigo me imaginar sem praticar esse esporte. Quando passo um final de semana longe delas, parece que a semana não acabou. Há quatro anos, comecei a freqüentar o CET e descobri que esse esporte é muito maior do que imaginava. Conheci novos caminhos, aprendi que a montanha é um lugar mágico, aberto a qualquer um, mas não para todos”.
Marcello Medeiros
Presidente do Centro Excursionista Teresopolitano
Autor da coluna “Mochileiro”, publicada no jornal O DIÁRIO.
|
 |
 |